A minha avó Ana tem setenta e nove anos. Setenta e nove anos. Este número assusta-me, não imagino a minha vida sem a minha avó. Ela esteve sempre ao pé de mim, mesmo quando morávamos a centenas de quilómetros de distância. A minha avó ainda está sempre aqui ao pé de mim, sempre disponível, sempre pronta a ajudar, especialmente quando se trata de tomar conta do bisneto. A minha avó vai fazer oitenta anos em Maio. Quero fazer-lhe uma festa, quero que seja um dia inesquecível, quero retribuir-lhe tudo aquilo que ela sempre me deu, mesmo sabendo que nunca irei chegar aos calcanheres do que ela já fez por mim.
A minha avó é uma mulher muito bonita. Sempre foi, sempre será. É uma mulher orgulhosa e de personalidade forte, que teima em fazer frente ao tempo que vai passando, sempre cheia de força, sempre cheia de vontade de viver. A minha avó Ana tem a letra mais bonita que eu conheço. É uma caligrafia perfeita, em que nenhum detalhe fica esquecido. Uma palavra escrita pela minha avó nunca é uma palavra escrita à pressa. Quando tem que escrever alguma coisa, senta-se sempre numa cadeira e pacientemente escreve o que tem que ser escrito, sempre com brio, sempre com perfeição. A letra da minha avó é uma espécie de auto retrato, em que amor, determinação e perfeccionismo são os traços principais. Minha avó querida, nunca tinha dado muita atenção à tua caligrafia até hoje... A pressa de viver faz-nos passar ao lado dos detalhes mais importantes da vida. Ainda bem que hoje reencontrei aquele bilhete escrito por ti. É este pequeno pormenor que hoje me faz lembrar a felicidade e a sorte que tenho por te ter sempre aqui. Obrigada avó.
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